Lembro-me de comprar um livro do fotógrafo americano Edward Weston [1886-1958] e lembro-me que, enquanto o lia, fixei imediatamente o nome dos diários que ele usava para escrever as suas reflexões pessoais e artísticas. Weston escreveu durante anos. Nos seus diários temos acesso ao mundo pelos seus olhos entre os anos de 1917 até 1934. Em 1961 a crítica de fotografia Nancy Newhall [1908-1974] publicou esses diários – daybooks. Ainda não esclareci a origem do nome, se foi dado por Weston ou pela editora, de qualquer forma, The Daybooks of Edward Weston são hoje um clássico da literatura sobre fotografia e a mim inspiraram-me.
Quando comecei a estudar encadernação e costura, em 2017, tinha já a certeza de que o meu primeiro caderno seria marcado por esta inspiração. Em 2019 criei o Daybook / Nightbook, um caderno reversível para notas diárias e pensamentos noctívagos. A mim surgem-me muitas ideias e pensamentos durante a noite, quando a casa está em sossego e em escuridão. Ficava sempre chateada quando perdia algum destes pensamentos ou ideias por não ter um caderno à mão.
Agora que faço cadernos e que fujo a sete pés da luz e da influência do telemóvel, essa pequena máquina portátil que nos persegue para todo o lado com mil e uma funções, tenho sempre cadernos espalhados pela casa, um lápis e com sorte um candeeiro de luz amarela, quente e temperada. Afastar o telemóvel do quarto e do ambiente familiar é um sossego e um exemplo para as crianças. A ser preciso, recuperam-se a máquina fotográfica, o despertador, o rádio e, claro está, os cadernos. Escrever à mão tem uma relação profunda com a actividade cerebral e desenvolve várias competências, falarei sobre isto no próximo artigo.
Até breve,
Andresa

