Regresso ao blogue da Poema, todos os meses ao dia 27 por ser o dia de aniversário da Poema, para falar de artes manuais, de processos artesanais e do papel.
E por falar em papel. O que é o papel? Parece uma pergunta simples mas teremos de nos situar no tempo para a responder, portanto reformulo a pergunta, o que é o papel em 2023?
O papel, de origem mecânica, é uma pasta prensada obtida através do cozimento das fibras da madeira às quais de adicionam aditivos químicos, com dois objectivos principais: reduzir drasticamente o consumo de energia na refinação e melhorar as propriedades mecânicas da fibra.
Antes do papel existiram outros suportes de escrita como o papiro (fibras da planta Cyperus papyrus, sobrepostas e secas por pressão), as tábuas de cera, os manuscritos em folhas de palmeira e o pergaminho (preparado a partir de peles não curtidas de animais). O papel, enquanto pasta formada por diversos materiais com fontes de fibras vegetais (cânhamo, juta, rami, vime, kozo, amoreira e bambu), surge no século II d.C. na China, embora haja vestígios da sua existência no século II a.C. (rota da seda). No século XII chegou à Europa e um século depois a Portugal.
A escassez de outra fontes de fibras levou a que em 1841 a madeira fosse considerada uma fonte de fibra para papel, embora em 1719 haja registos da sugestão do seu uso.
Desde que iniciei o estudo do papel, da encadernação e do restauro e preservação de documentos gráficos que o meu interesse recai sobretudo no papel reciclado. Estudo e faço experiências para compreender e saber como se faz, como reutilizá-lo e como aplicá-lo nos cadernos que crio. Tal como os livros velhos, o papel reciclado tem marcas de vida longa. E as marcas do tempo são rugas que me interessam muito.
Volto ao blogue no próximo dia 27 de Maio. Até lá podem contactar-me nas redes sociais ou pelo email hello@poema.pt
Um abraço,
Andresa Olímpio

