Primeiro com lamento e depois com resignação, publico este texto com muito atraso, deveria ter sido publicado no dia 27 de Junho.
Hoje escrevo sobre as oficinas de encadernação que fiz em Maio e em Junho em Jardins de Infância para crianças entre os 3 e os 7 anos. O convite partiu das educadoras, uma delas tem por hábito fazer papel reciclado com as crianças na escola. Encontrar pessoas que tem consideração pelo papel reciclado e têm curiosidade pela arte da encadernação é sempre entusiasmante.
As crianças, com a sua curiosidade natural, ficaram muito atentas quando lhes expliquei o que é a encadernação de livros, para que serve e quais os materiais que mais utilizo. Propus-lhes que cosêssemos um caderno para cada uma levar para casa. Cada criança escolheu a linha e os papéis e, à vez, iniciámos a criação do caderno das emoções. A escolha da linha não é um detalhe, tratando-se de costura estilo folheto, a linha está bem visível do lado de dentro e do lado de fora. Para aumentar o envolvimento é importante que, numa oficina prática, cada criança possa comunicar as suas preferências, neste caso em termos de cor e materiais. O entusiasmo e a responsabilidade de tomar decisões torna a tarefa mais prazerosa e mais pessoal. Proporcionar à criança entusiasmo e oportunidade para criar é facilitar a aprendizagem e a compreensão. Aprendemos mais e melhor quando gostamos, quando estamos num ambiente de compreensão e afecto, quando nos sentimos entusiasmados e quando temos de tomar decisões.
Outra coisa é a noção de perigo e de consequência em relação à utilização dos materiais. Uma agulha e um furador são materiais que perfuram, devem ser utilizados com cuidado e supervisão em vez de serem proibidos e escondidos. No caso de materiais cortantes ou perfurantes acho importante informar a esclarecer a criança sobre os perigos e as consequências, mostrar a sua função e como se utilizam correctamente e acompanhar e ajudar a criança a utilizar esses materiais. Obviamente que depende da criança e na actividade. Aqui tive oportunidade de trabalhar com uma criança de cada vez, o que facilita o processo.
O resultado foi um conjunto de cadernos que podem ser decorados na capa e contracapa com lápis ou giz branco e com o miolo de papel reciclado que pode servir para desenhar, pintar ou colar recortes.
Se todas as crianças pudessem ter um caderno diário para usarem como entendessem talvez a aprendizagem da escrita, do desenho e da pintura fossem mais naturais e menos impositivos. As crianças são pequenos artistas, todas sem excepção. São hábeis em experimentar, tentar, fazer e voltar a fazer. E a fazer é que se aprende.
Por hoje despeço-me, volto no final do mês.
Já sabem que estou disponível pelas redes sociais ou pelo email hello@poema.pt.
Obrigada.
Andresa Olímpio

